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das putas, dos vinhos, do haxixe

Encontraram-se na frente do elevador privativo da cozinha. Meia noite e meia; fim do turno. A música ainda estava alta e os velhos mais tarados. Havia tudo do melhor, vinhos a 16 graus, Clicquot e Red à vontade. Armou com dois deputados, em trinta minutas na famosa sauna, havia também algumas primas. - Você tem da boa, Seca? – para César - Doutor, eu sou gostoso ou não? – disse rindo No elevador; mãos bobas, dedadas, do jeito bacaniano que era o estilo do Le Grand. À medida que os andares passavam a lasciva era intensa, um sonho esfumaçado pela falta de sobriedade. Pararam os meninos um andar antes, sob o pretexto de trocar de roupa. Mas na verdade é para fuma o bom e criar coragem para transar com velhos e putas. Acho que todos não agüentavam mais. Subiam as escadarias do hotel, céleres, aos pulos. Estava ele, César, Paulo. Haviam terminado o último turno. Estão altos, beberam sobras demais. Mas por ser o aniversário de um grande cliente, era uma exceção, e um sacrilégio não encher a ...

um cara gente boa que só gostade marfim

Num entardecer especialmente romântico, o céu de um azul turquesa que era intercalado por nuvens magras, que pareciam a fumaça solta de um cigarro, a lua estava de uma prata límpida. Eu estava com as pálpebras pesadas, um pouco febril até. Ela falava comigo com muita dificuldade, como se cada palavra soltasse uma lágrima que lhe percorria a face e lhe ardia; suas mãos nervosas seguravam as minhas com uma força delicada. Mexia nos cabelos constantemente, percebi que seus olhos estavam mais escuros, pois as olheiras, marrom terra, escureciam não só os olhos, mas toda ela. Fez-me um afago demorado e aproximou seu rosto ao meu, e senti que sua pele estava morna e molhada, e ao dar um beijo pude sentir o gosto salgado. Limpei suas lágrimas e ela se foi; pegou minha mão, e foram se separar apenas no último toque possível. Não poderia haver jeito melhor de acabar tudo.

partiu mesmo

A manhã estava terrivelmente seca, sentia as melecas moles se transformarem em concreto, mas ele gostava. Era um de seus hobbies: tirar meleca do nariz. Apesar de todas as advertências que se pai já lhe dera sobre o quão feio era aquilo. Mas o prazer era tão bom, e melhor ainda era olhar os formatos loucos que elas saiam. Umas eram dura e douradas, outras mais viçosas. Tinha uma técnica que ele achava infalível; primeiro, ele fingia que estava coçando o nariz, e dava uma pequena futucada só para saber a localização exata e depois com um golpe ágil e certeiro a pegava com a ponta do dedo indicador. Algumas vezes elas não saiam completamente, exigindo uma nova investida; mas isso não era comum. Quando estava sozinho, fazia uma bela limpeza no salão, vasculhado minuciosamente, enfiando o dedo, até chegar perto do buraco que há no fundo do nariz, o que causava uma irritação detestável e uma vontade incontrolável de espirrar. Ele rumava a escola, vendo o céu limpo, sem nen...

de você para você

Sai-se muito para pensar quando o mar está próximo. Ele tem qualquer coisa de bom ouvinte; faz uma massagem boa nos ouvidos, com seu barulhinho bom com seu vai-e-vem infinito, espalhando os problemas na espuma branca. É relaxante, por isso o sono vem mais gostoso. Os pés pisando na areia fofa, arqueando um pouco andar, te faz ficar fora de si para olhar-se com um distanciamento maior. Esse aí sou eu? O vento praiano não toca, se faz perceber; toca a face, e os cabelos e empurra para trás – convida para seguir se caminho, percorrer toda a costa. O olhar é de meia guarda, pálpebras protegendo os olhos. As mulheres caem no encanto e vão deitar na solidão do fundo do mar, o coração pára, e de repente, se faz presente dando o tempo da sua vida. E elas vão deitar, sem o peso nas costas. Olhou o vento vindo em direção contrária, e ele numa curva suicida, voltou para empurrar Fausto, para onde ele devia ir. Os coqueiros à esquerda, longe, com as folhas no ombro correndo para um lugar melhor....

adagio

Na curva celeste era onde você deveria me esperar. O dia haveria de ser iluminado, como na hora em que Deus falou: “Que haja luz!”. A cornetas tocariam em harmonia indo a seu encontro, te falar que eu te espero, paciente, onde me deixou. Sim, está frio e chove fino, sua falta me fez chorar e com meu choro vem a chuva; fina por que meu choro é contido, escondido. Tenho vergonha! Digo isso agachado; com as gotas misturadas às lágrimas escorrendo na ponta do meu nariz. Já nem posso me ver, embaixo de mim se formou uma poça composta de uma trindade magoada: dor, sangue e vento. Vento que sai para os quatros cantos uivando por ti. Caem nessa poça as minhas lamúrias, ao tocar uma gota, círculos concêntricos se formam tampando minha face; quanto mais tento olhar, mais sou deformado. Irado, pulo repetidas vezes até que a possa se espalhe e agachado novamente começo a babar e como o elástico de saliva pendendo em minha boca, eu blasfemo o amor.

sonhei com você

Felipe, mas conhecido como Pingüim. Era tranqüilo, olhar sereno e complacente. Sempre foi muito humilde. Seu lance era o saxofone, e aquele que fala alto, em mi bemol, que faz loucuras. Na verdade ele era da praia, bahiano, de Salvador. Carlos Augusto, nome de seu velho pai, feio como um cão rabugento, mestre de obra; era forte por causa disso. Não entendia essa tal de música e aquelas figurinhas que o filho tanto lia. Achava que o som parecia o choro do filho, e que ele não gostava de ver filho nenhum dele sofrer. Talentoso que era, logo ele procurou uma banda. Tocavam nos bailes, mas sempre uma coisa meio brega, aonde seu sax ia rasgando. Queria uma coisa mais coo l. Quem havia lhe dado o instrumento foi o vó João, que gostava de música, pediu pro neto escolher o mais bonito e brilhante. Ele escolheu o saxofone, ele era todo de ouro. Morando em uma Salvador agitada, ia todos os dias para os hotéis mais fino, vestindo um terno da Vila César, comprado a sei lá quant...

e vai, reto sem perdão

Os dias se passavam assim, do hotel para a escola, da escola pra casa, da casa para o hotel. Morava na 504 Sul, em cima da W3 em um conjugado de dois escritórios. O que davam dois quartos, mais um sala, cozinha e banheiro. Em seu quarto, tinham duas janelas grandes, que deixava transparecer as duas pistas, mão e contra-mão, e os carros velozes, buzinantes, com seus passageiros que mais pareciam fantasmas, à noite, por parecerem sempre imóveis e resolutos. Passava horas de lendo um dicionário francês e nomeado cada estrelinhas com o nome que achasse mais chique – claro que garcon tinha sido a primeira; uma de cada vez, de um universo que o Big Ben se dava quando apagava as luzes, eram adesivos fosforescentes. Mas o que mais gostava do seu quarto era o retrato de sua irmã. Que há anos não via, pois tinha ido para o Rio de Janeiro com sua mãe. Um retrato de sua irmã mais nova, ou melhor, um retrato dos dois. Demorou a se reconhecer; com os cabelos lambidos, e olhar puro. Lembrou de uma v...

poesias loucas de antigamente (carbono dual)

"na cama eu deito mas não sinto o peito...mas veja só, por sinal, meu destino é ser dual...criando, matando...sorrrindo. bastante ao soluço humilhante...digo cá meu adeus, fique com deus...se deus não existe, não fico triste..amanhece o dia e é isso que eu queria" miguel watson RetaateR A vida passou rápido Saiu de casa à procura O dia já está de pé Balbucio palavras erradas Entornando inteiro o copoem grandes goles A inocência indo embora, morta O paraíso falso de cores A laranja estragada por dentro E a moral se foi a muito tempo Se perdeu em alguma reta oleosa Animal Diga diga, ora, diga Diga diga, ora, pois Diga diga o que sente E pense logo depois Dúvidas Pronto, agora foi O rumo a seguir reduzidos a palvaras que não são as suas Uma negativa iminente Troca de assunto Não te quero dessa forma Ninguém quer As coisas estão em ciclos Ontem... Espelho A dor cotidiana O ciclo do não As atitudes sem razã...

Os olhos da clarividência

As suas mãos estavam tão brancas, suas veias pareciam estradas. Passava sua mão esquerda na colcha, que parecia estar tão limpa e branca, mas estranhava por estarem tão lisas, não sofrendo atrito algum. Tentava tocar seu corpo, mas este lhe parecia tão frágil; tinha medo, muito medo. Queria fazer um poema sobre aquele momento, o seu grande momento, deveria se fazer algo estando naquele estado. O que ele ia fazer, dar um suspiro e pronto. Não! Queria dizer as coisas mais bonitas, mais humanas. Ir contra tudo e profanar a cruz. Acendeu a vela que estava do seu lado, apagou as luzes. Nenhum padre iria velá-lo. A vela é egoísta e fraca; na verdade não ilumina o quarto, só a ela mesmo, como todo seu esplendor branco e suas consistência dúbia. Fora de seu centro não havia nada, só a penumbra. Ah! A romântica penumbra, que tanta vez ele quis, ao ficar com uma mulher, para se ver revelada a ele só ao toque, a visão era privada de tal conhecimento. Tinha medo desta penumbra, lhe ocultava mistér...

quadros de areia

Havia uma camareira chamada Carmem, que possuía uma bondade infinita, mesmo com as agruras que a vida de pobre a havia submetia. Tinha um olhar condescendente; pronto para a ouvir e dar conselho cristão a todos que por acaso a procurasse. Ela tinha não mais que um metro e meio, cabelos curtos e ondulados acobreados, por alguma tinta barata. Gostava muito de Pingüim, tendo Fausto em alta conta, e o via com um filho; na verdade, via todos como filhos e só queria o bem deles. Ela fora muito bonita, em algum lugar perdido no meio da Natal. Era filha de um servente, seu Paulino, um homem severo, porém correto, que lhe deu uma perfeita educação cristã. Fez seus estudos até a 8º série e teve que parar para ajudar sua mãe na confecção de garrafinhas de areia; que ilustravam temas praianos, como canoas, com pescadores e coqueiros, bem típico nessas cidades em que o mar é o seu fascínio e fonte de renda. Quando estava na praia do Careca vendendo seus artesanatos, um homem, chamado Carlos, a ch...

sentimentos espaciais

Quando ele começou a ficar louco? Quando começou a pensar grande demais. Não pensava mais nas paredes de sua casa, nos quadros perdurados tortos. Pensava nos movimentos da estrela e no pó estelar. Ao andar, não queria percorrer um ou dois quilômetros; queria andar em ano-luz. Suas pespectivas das coisas começaram a ficar imensas, impossíveis. O tremor de suas mãos estava por demais forte para que ocultasse. Olá boa tarde, como vai? - lhe perguntavam. Seus olhos iam imediatamente para o canto superior de seus olhos e ficavam suspirando. Dois ou três desses eram necessário para que ele falasse de uma multidão, de um abstrato colossal de movimentos épicos, andando em imensos blocos de granito preto. Vê aquele lago, onde em sua superfície compunha-se toda a realidade ao contrário, meio aquosa? Cada molécula um dia já pertenceu a algo completamente diferente. E os elétrons que brincam de pular corda o tempo inteiro, e dão gritos iluminados - literalmente - de prazer. Com um suspiro também ...

morte do velho

Quem disse que mendigo é gente. Tinha uma calça co vinho, com manca relativamente grande de água sanitária. E para não lhe correr entre as pernas, usava uma corda. Começou a beber em uma ponta da cidade e foi parar na outra, por sorte não foi parado por nenhum fiscal da lei; ou garis da moralidade, como queira. Andou até as pernas começarem a queimar e assim perdendo o controle sobre elas. Ia passeando por um bairro nobre, de muros altos e verdes, onde a felicidade parecia realmente reinar. A sujeira lado a lado com a afetada limpeza. Viu um sobrado amarelo e logo após a entrada da rua. Nem pensava em entrar, já ia passando para se ver longe do seu oposto. Mas ao atravessar o início da ruela, hesitou e olhou mais para o fundo. E lá, duas casa adiante da amarela um terreno baldio. Sentiu que era seu lugar. Já estava bem tarde, ou cedo; a podridão do álcool em sua mente era insustentável. Tinha que descansar. Balançou a garrafa. Havia ainda mais duas bocas cheias, com as bochechas estufa...

tudo que é sólido desmancha no ar

Poema em linha torta Em Brasília eu ando, eu vou reto sem perdão O que me guia é meu coração Trasbordado de emoção Não é a boa não É a angustia que me aflige Doido, tento descobrir o segredo da Esfinge Faceira que é, ela finge Não são mais duas horas, mas quinze Agora ando torto; a linha reta não faz mais sentido Com o cigarro na mão faço um pedido De certo não será atendido No final da rua procuro alento Mas meu único amigo e vento E assim decorre o tempo.

fausto

Estava sentado no lobby de algum hotel cinco estrela em Brasília, não podia se lembrar bem desde de quando esperava ali. Tendo que ouvir o inglês mal falado dos recepcionistas. O último cigarro que tinha, fumou, lógico. Fumar igual a esperar. Odiava hotéis, principalmente, por conhecê-los tão bem; passara boa parte da vida em um. Mas não como viajante, curioso por ver o que lhe espera em cada frigobar. Foi filho de um anônimo garçom, que o levava por não ter com quem deixar o menino. “Fica comportado aí, volto com um refrigerante”. Era uma frase marcante de seu pai: Felipe Corrêa. Enquanto o via como um maioral, o chefe dos garçons – que achava sofisticado por ser “jovem” em francês – seu pai guiava os belos rapazes com seus smokings marfim, talhados de rosas, com seus bigodes de penugem a cobrir a boca. Divertia-se como se tivesse em um balé, quando os via bailar. Exigindo o mais variados pratos, de filet à parmegiana à costelas de carneiro ao molho de hortelã. De vez em quando, ele...

O vício sublime

Arrastado, crispado, o corpo se contorce de forma vagarosa e peçonhenta. Os olhos, estranhamente, se ajuntam; pois sobrancelha se fecha, e o epicentro é formado. Não! Não espero nenhuma comoção da sua parte. Sou sublime artista. Não o faço pela ovação, as rosas falsas jogadas de lado, o viril estrondar de uma platéia satisfeita, seus deleites foram agradavelmente servidos. Faço pelo vício. Um milésimo de segundo lá, é o alcano. E o medo que me bate, do meu talento não ser o suficiente. Paro, diante da cena, de tão aterrorizante que é, sinto uma punção, vinda do âmago. Tudo se dá célere, como todo prazer; tem que ser meticulosamente ministrado aos seus fies. Medo, é tudo o que sinto por ela. Medo bom.

o senhor fumante de olhos azuis

O que há de ser então, esse homem fumante de olhos azuis? De começo digo que são pessoas que não irão ser lembradas, e nem servem para isso, por seus nomes - Pedro, Fábio, Fernando -, muito menos seus sobrenomes. Vão ser lembrados apenas como tais: senhor fumante de olhos azuis. Mas não é uma adjetivação que se consegue na puberdade e tão pouco na vida adulta. A trajetória se dá nessas fases da vida - como fumando o primeiro cigarro, já é claro, tendo os olhos azuis -, mas é em seu final que se recebe o tipo. Entre ele e os colegas não se vê diferença alguma, são púberes experimentando o ilícito, a tragada do prazer, que alguns não irão largar nunca. Fumando escondidos com uma mão no bolso da jaqueta e o outro com a cigarrilha entre os dedo, com as maças rosas cabelos cortados no meio e a doce tontura das primeiras tentativa. Já na vida adulta irá fumar por vício, necessidade, sem ter tanto destaque em uma bar cheio de névoa branca acompanhado de alguma bebida. E então; quando é que se...

o tesouro secreto que está guardado

Quando a viu já estava fadado a uma luta intensa. Os olhos se cruzaram por alguns véus quase transparente - gelatinosos - de algumas tonalidades brilhantes, se aventurando entre o verde e o azul, dum degrade justíssimo. Ela falou, o chamou, sem mais nem menos, como se fosse a última coisa que faria. Desde de logo se imperou em lugar superior. Ele, duvidoso, exitou, mas sabia o quão em vão era tudo aquilo; e foi avante - ereto meio torto. Ao passar pelo primeiro, cor: azul marinho claro, sentiu leveza ao ver suas roupas desaparecerem; ou melhor dissolverem. Sentiu um frescor tão intenso naquelas partes vindas das masmorras- onde é abafado e quente. Pôs-se então, a correr para o segundo e também penúltimo véu, de uma de um verde bem escuro, como são as esmeraldas , ouso falar até que mais verdes - por que é isso; o que você sente ao ver algo tão verde, verde puro! Deu-lhe um abatimento após esse choque, meio que quase desmaio, quando atinou, abriu os olhos e que viu que estava meio trans...

caminho do parque (ao contrário)

Eram seis da tarde, o clima era agradável – um pouco úmido -, por onde andava havia uma vasta vegetação costeira, dando ao ar um frescor ainda maior. Usava um boné, de um posto de gasolina se me lembro bem, com as bochechas coradas, de um vermelho já vivo, de doença mesmo. O cabelo era curto, respeitável, mas na verdade era para esconder os cabelos brancos que já eram muitos; demais para sua vaidade deixar. Seus olhos escondiam uma alegria, mas mal podia se ver; estava tão lá no fundo, Lembrou de seu marido, já falecido, lembrou da agonia do homem que um dia foi seu macho, o que lhe deu as crias – dois meninos. Quando se viu no espelho, nua, como havia envelhecido. O sexo já era nojento, já não havia mais graça; dois corpos desengonçados tentando tirar o prazer de um poço já seco. Afinal, vendo o corpo no caixão, sabia que não teria que fazer aquilo de novo. As saídas, encontros sociais, eram raras. Depois de três ou quatro ficou enjoada, ao ver que era a coitadinha – projeto social da...

free as a bird

Tenho me empenhado a seguir em frente nos corredores estreitos; as ombreias de meu paletó arrastam em sua superfície. A escada circular de agruras passou a pouco, e sendo seu hálito puro terrivelmente fresco. Saio, pois, rumo a porta mais acessível, meio bambo, ainda com a atadura dependura na ressecada cara. Sinto um peso enorme sobre os meus olhos, minha visão tem um colorido rubro. Ao falar, vira minha boca o mais seco dos desertos. O céu? O que há de especial nele hoje? Está nublado! Olhe direto para o sol o ficará cego, disse minha mãe para mim aos meus infantis seis anos – π,Π, 3,1415(...). E então, já moço olhei; e como foi detestável! Senti minha fronte se modificar para as mais feias de minhas maneiras, de tão vazio que era. Ao entender isso, deliberadamente, atinou-me um passarinho verde loiro, maneta, em seu vôo torto pelo jardim. E o cacei com os olhos, e me senti simples; e é o que me basta. Leveza. (leia o símbolo)

intederminável/inacabado

estou caindo no abismo, e digo, é uma sensação antes de tudo pavorosa e também esclarecedora. Sinto meu corpo leve e pesado, sinto-me leve ao cair e é com pesar que consigo movimentar meus mebros. com muito esforço pude erguer meus braços e tocar a parede de onde eu despenco, meus braços batem com tanta força, e senti uma dor tão aterroziante, que por muito pouco não perco a razão; minha mão é esfolada tão rápido quanto a velocidade terrível desta queda. mas mediante a isso o siêncio continua retumbante; no entanto, o que mais me assusta não é a queda, são os pensamentos que me passam à cabeça, e a facilidade que as memórias mais aterroziante me assolam. Foi o momento que me senti mais vazio e covarde, pois, é na hora de nossa morte que vemos nossos atos falhos de forma mais límpida; ainda em queda livre pude perceber que a vida se esvai nos intantes em que me aquietei e me pus ante outro e me silenciei, ou no mais quando, pronunciei palavras duras e autóritaria em vão, sabendo que ...