Está tão frio nesse quarto branco. As sirenes e as vozes roucas parecem tomar o ambiente, desselugar já assustador. Olho para a janela e fico a pensar o que as pessoas fazem agora nesse momento. Tento fechar os olhos, para tudo isso passar mais rápido, o sonho não vêm. Abro os olhos; ou melhor semicerros-os. Ficar acordado parecer ser mais interessante. Pronto, abro os olhos por inteiro agora. Se passaram dois minutos e vinte e nove minutos, nesse relógio que está passa mais lerdo que todos os outros. Até o sangue que corre em minhas veias se encontra amolecido. Essas malditas sirenes, juntos com o badalar incessante da solidão. É, acho que minha vez chegou. Agora é que mexo os pés e a cabeça e vou-me para o mundo das rosquinhas e do infinito anunciado.
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As plataformas do silêncio absoluto do pesar. Os gritos que vem da sombra escura do teu ser. A pulsação equivalente ao de um terremoto. As horas passadas olhando para paredes e relógios. Sem graça, com um olhar torto, inconveniente. Os sinais vermelhos sangue. As pinturas dos muros, difundem o caos urbano, traços finos, fortes, criando um espelho. E reflete o mundo, as pessoas, as injustiças, o amor, a esperança e revolta. A droga que me faz pensar, me faz rir como um menino, trazendo-me de volta à minha infância: Aurora da minha vida. Ilustre beleza que ninguém vê. Raros são os pontos inusitados dessa jornada. O vidro do carro/avião separa! Nuvens quadradas, ritmos de dança e palmas. Palmas para a vida, que insiste em me surpreender, um salva de aplausos para a lua: solista cor de prata, linda nos monólogos noturno, soturnos, como gato preto com olhos amarelos. No balanço do seu rabo, seu bigode esguio bailando pela casa sem ver. Recordações são tudo o que eu tenho para mim. Expressa...
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