Sunday, June 08, 2014

Seiva Bruta

O silêncio que precede a decisão. Sim ou não? Nunca se duvida, tem que acreditar nisso para seguir. Começamos do nada, e agora estamos aqui! Sem consciência, atemporal acerca do questionamento da ação. Só queremos os créditos onde os mesmos são devidos. Palpitações, medo irracional, enfraquecido pela pendente cruz. Julgamento ah doc.  Onde estão seus amigos de verdade? Conto de fada, interesses sendo postos em delicadas camadas de mentiras. Risos, mãos que tremem, sobrancelha saltitante. A arte de ler pessoas, rostos.
            Quem sente vontade de rescrever a realidade? Que pulsa incessantes a frentes dos nossos olhos tácitos. Não há estória. Não é engraçado, pensar que cada uma de nossas ações, nos levam irremediavelmente à morte. Vou me preocupar comigo e dana-se o resto. Lá debaixo até aqui em cima. Humanos que empanzinamos, passam, todos curiosos. Mas o ser não ser abre, a aurora de uma primavera que reinou somente naqueles meses. Nostalgia! Saudade! Vem, bater no peito mais uma vez, para fora das amarras do objetivo cérebro.
            Resta o resto. O fim do primeiro ato. Quem nunca viu. Um retirada de cena, sem aviso. Senso de urgência, da avidez da sombra, do escuro que consome o palco como um buraco negro. O frio não incomoda, os dias são ensolarados, mas esta murcho, capenga e aleijado nosso herói, combalido com feridas das guerras do passado recente. Sem mais tempo para roubar ou mentir, voltou para casa. O bom filho – fracassado – sempre a casa retorna. O projeto de filho pródigo, Hércules seu nome, o primeiro, e o agora último, de sua linhagem  A incrível desfaçatez de franzir a testa, e dizer aleluia. O belo sino dobra constantemente, como batidas de relógio. E a meia noite, temos o silêncio.

Thursday, March 20, 2014

Vaporetto

Meu coração nunca foi de ninguém. Vivi uma boa vida, disso eu me consolo. Mas passei incólume pelo amor. Me esgueirava por entre as ladys até com certa desenvoltura; posso até dizer que um dia já fui bom. Bom não, confiante, alma aventureira, moreno do sol.  Mas, de certa forma, sempre houve momentos de cinismo puro. O abrir os olhos ao beijar; olhar no espelho enquanto copula. Coisas estranhas que acontecem entre quatro paredes.
Já andei em motéis, carros, ruelas, chão, elevador. Realizando algumas fantasias que me foram incutidas na primeira puberdade.  Rastejei na noite, fiz caridade, fui sujeito de beneficência. Vomitei e beijei, masquei chiclete, kit beijo. Catuaba até ficar roxo. E chorei só voltando para casa e quis bater no poste.
Detive-me algum tempo  com algumas moças, a maioria gringas. Havia algo de bom saber que elas não conseguiriam ver dentro e profundo na alma brasileira. E saber o que é saudade. E por não saberem, acho que não lembram mais tanto de mim. Fui uma aventura saliente num cálida apres midi na Riviera. Que canastrão.
Dos meus velhos escritos, agora já espacialmente distantes, reconheço apenas a dor constante de um jovem que luta contra o seu lobo, sua solidão.
Um dia, hei de me acostumar. Aconselhar outros sobre suas vidas amorosas , ser tio, pagar pelos meu pecados. Ver, relação após relação,  minhas, de próximos, dos meus pais, avós, amigos e aliens, perecerem sobre o tempo. Ampulheta  de areis cruel, abrasiva, corrosiva.  Hoje quem sofre sou eu, amanhã você. Recolhido em sua coberta esperando o sono vir.  Hoje brindo a vida e ao norte que sigo. Ela está longe. Irretocável memória, dos fios da franja sendo lufadas pelo vento frio de Monmartre, foi ali que senti meu coração acalentar, quando após um cigarro, beijei-a com força. Sabendo de antemão que seria o primeiro e último beijo fiel. Que canalha. Em um soirée  disse as palavras mágicas: I love you!
“No you don’t!” replicou ela quase que de imediato. Estávamos ambos os dois tão bêbados (sic)! Havia ela derramado inúmeras cervejas, e antes da festa terminar, já estava angelical, dormindo no meu colo. Eu acariciava aquele lindo ser, desprotegida sobre as minhas mão que dedilhavam seu velos dourados. Sublime! Magnânimo! O amor por entre as cobertas, o descobrimento de peles nunca antes vistas; beijar para obter o tão certo arrepio. O desabafar de prazer de bien être. Sussurrar en française, avec la liberté de dire des choses impubliables. Rêve d’un jour, touche les anges à côté de toi, Toujours, j’espère avoir ton regarde et sympathie. Je voudrais te toucher pour te faire plaisir, pout te faire, simplement, rire. Je t’aime; et si tu me donne la bonne chance, je te couvrira de bonheur. E sentir o peito encher de alegria, o palpitar do coração acendendo a chama do amor eterno!

O carrossel iluminava naquele começo de noite. Café ela, eu cappuccino. Alguma coisa esta errada. Você nunca poderia ser minha. O Destino não deixaria a vida cotidiana estragar a imagem que estava defronte. La beauté. Pois a beleza apenas é;  única forma ideal que percebemos por meio dos sentidos e que nossos sentidos podem suportar. O espírito se inclina vassalo diante da beleza. 

FF



Sunday, March 16, 2014

VoltaatloVoltaatloVoltaatloVVoltaatloVoltaatloVoltaatloVVoltaatloVoltaatloVoltaatloV

Ao passar do tempo, a Babilônia sempre à espreita de seu antigo auge. Meu museu mausoléu. Retorquiu então o patrão a pobre moça que restava imóvel no canto menos iluminado do recinto. Senti que sua alma chorava, sua alma sangrava e esperneava. A dor da alma! . Acordou para a manhã serena que não traz nada. Apenas palavras sem sentidos. Perdendo a corrida da vida, sem olhar com gana o primeiro colocado. Se resigna a si própria. 
De súbito, retirei mon regard de la vie. Olhava agora os padrões da mesa de madeira, sangue arbóreo, sóbrio e leitoso. Sobre o que falava?
Falava sobre...Imaginação incompleta, espectador do mais perfeito dos espetáculos. Criador do meu destino. Saberia reconhecer a felicidade plena, o assobiar leve de uma canção de ninar. Picotando o meu fumo, percebo o hábito. As mãos habilidosas acariciam a seda, o ópio; minha consciência é anestesiada. Por isso, elevo meu fronte diante da vida em três dimensões, rindo maldosamente da comedia humana. Um dia tudo volta, o mundo circular que girava incessantemente sobre o astro rei. O rei dos reis. O passo dado ao acaso, sempre leva a história mal contada no dia seguinte. Muitas estórias mal contadas! Vive sua vida plena? Se questiona? Pensa a mim? Sigo só, lobo solitário, maldita canino que me falava que no final estarei melhor só. Recostado em meu travesseiro, calado, recordando o vômito social que passo todos os dias.
Duas almas desencontradas, perdidas! Venha dizer que a vida foi sem querer! Alma dura, cicatrizada de guerra perdidas. General deposto no campo de batalha, com o rosto mastreado nos pés, olhando para a armadura estraçalhada. Fecho os olhos e não passa. Fito o espelho, não vejo. Grito o nome, a voz claudica. Rouco, grulho mais uma vez. Guarita para esse vigilante da solidão. Me aninho ainda em seus braços. Arranho, sangra, cicatriza! Mas o sentir não vem.

Contarei uma outra estória. Da graça versus natureza. A leveza da seda contra o áspero arbusto, que de um cinismo abissal, só se agarra ao tecido, levando consigo a inocência  das ninfas Graça. E a natureza, na velocidade terrível da queda, conduz forçando a pobre a se écraser sur les pierres . Mas quel dommage! Sou da génération perdue; mas que não é?

Wednesday, December 11, 2013

L'enfant terrible!

Habemus bellus

A guerra; batalha entre opostos, ciranda de movimentos  antagônicos, onipresente desde o tempo em que o homem era bicho. A capacidade de amar e odiar na mesma intensidade, sem alguma lógica; querer ter para si a essência do outro, subjugando, infantilizando, escravizando com um objeto desalmado.
Não haverá paz, bonança em mares cristalinos como deseja a utopia dos doutores. Não entende você a entropia, o caos, a inquietude perturbadora do vento? Alheio, livre, leve para flutuar autônomo como  criança que passeia perigosamente sobre o fio da navalha, beirando o precipício; absurdamente irresponsável..
Escrutinamos as entranhas da personalidade, abstraindo dela um milhão de coisas, menos o óbvio; o presente estado. Por necessidade, nossa percepção é atrasada, se arrasta milésimos de segundo atrás do instantâneo improvisado. Os reflexos sendo projeções de um cenário plausível. Cerra os delicados punhos para me agredir, avanti, com olhos  mercúrios de ódio. 

Então; em um estalo de percepção limpa é instituída a paz mundial. Pacífica e remansosa permanece, against all odds, durante esse período de vida. Mas em breve, habemus bellus ! E das cinzas, dos escombros, da carne pútrida do de cujus, surge de novo o novo. Criação destrutiva. Destrutiva criação.  L'enfant terrible!

Bellus habemus